sábado, 27 de abril de 2013

Pensante

Na noite meus pensamentos fluem melhor, fico mais sensata e mais sábia, me questiono sobre tudo, sobre todos. Por isso pintarei estrelas e uma grande lua no teto para que todas as manhãs quando eu acordar olha-las e pensar no que devo fazer e falar, o que devo evitar e no que arriscar. Então dançarei como uma linda bailarina para ironizar a manhã, depois é só jogar uma água no corpo e estarei pronta para sair e ver tantas caras tolas e lidar de um jeito mais sucinto com elas. 

Quem dera eu ter plantas no jardim pra animar a melancolia das tardes, rega-las imitando a chuva até a mesma chegar e lavar-me inteira, caindo de vagar para poder sentir cada gota que me tocar, caindo e levando embora a tensão, palavras ruins que quase estragam um dia bom.



“Eu na chuva dançando como uma bailarina, rodando o meu vestido.”



E no entardecer o que mais poderia fazer se não me entregar a uma melodia em som e em poesia e um pedaço de torta fresquinha, como acompanhamento o cansaço no olho que vem aos poucos trazendo notícias sobre eu mesma, as quais me esqueci.

De propósito.

Então irei me deitar diante do céu que me levantou de manhã e finalmente de tão exausta dormir sem deixar que a mente me lembre de pensar.

domingo, 21 de abril de 2013

. . .

O nível em que usava as palavras era alto demais para joga-las fora com
aquele forasteiro que tentava invadir meu rosto com um olhar de ganancia
em mudar o que cresceu comigo. 

Então me libertei. 

O Pedido e a Segurança

Por onde andei enquanto estive fora da cama na madrugada anterior, me perguntavam naquela manhã de quarta-feira. Deixei as perguntas em branco, como se fossem retóricas, mas não propositalmente e sim pelo fato de não saber as respostas.
Eu sempre gostei de ouvir histórias sobre meu problema de sonambulismo, costumavam ser engraçadas e aquele dia ninguém tinha nada tão plausível a me contar. O pouco que podiam relatar-me era que por nenhum motivo que pudesse explicar Madame Lúcia acordou assustada e sentiu necessidade de me ver antes de voltar a se deitar, mas em meu quarto não me encontrou.
Pensou consigo que eu devia estar dormindo em pé em algum cômodo da casa, pôs-se a me procurar só que eu não estava em lugar algum, começou a me procurar em desespero por tudo, já me acharam escondida atrás dos móveis, mas não adiantou de nada.
Quando voltou para checar meu quarto eu estava deitada, aparentemente adormecida, a janela batia e o vento uivava agitando as cortinas. Até agora me pergunto por que eu teria aberto a janela?

(...)

Sentei no jardim, a tarde estava bonita, como de costume tentei escrever um pouco, tinha um mistério e ideias ótimas para uma pequena história do que poderia significar os acontecimentos da noite. Engraçado, nada do que eu escrevia ficava realmente bom pra mim, passei o resto do dia escrevendo e reescrevendo tentativas de fazer eu própria me impressionar, as ótimas ideias não pareciam tão boas no papel. De repente eu percebi que tudo o que eu estava pensando e escrevendo podia realmente ter acontecido, eu poderia ter saído de casa pela janela, poderia ter andado na rua, ido em lugares que nem podia imaginar. Isso era o que sempre me preocupou, não só a mim, mas a todos da mansão. Lembrei, eu tinha feito, sim, tinha feito uma carta para meu anjo protetor, eu sempre fazia isso quando sentia um medo grande e fiz isso no dia que escutei Madame Lúcia comentando com os demais que eu teria tentado abrir a porta e sair por ai noite adentro, de tão preocupada ela todas as noites tirava a chave da fechadura.

A carta:

"Querido Anjo, será que podes tomar conta de mim a noite, para que nada de ruim possa acontecer que meu corpo não faça o que minha mente saiba que não é seguro. Me controle. Antes que eu vá até o perigo me leve com você, me leve até a sua morada."

Procurei a carta entre muitas guardadas na tábua solta atrás da escrivaninha, muitas coisas pessoais eu escondia lá. Quando a encontrei meu coração não conseguia se decidir entre sentir o alivio ou a apreensão, mas ele bateu tão forte que eu conseguiria senti-lo em todas as partes do meu corpo. Estava lá, em letras brilhantemente douradas.

A resposta:

"Espero que goste de andar nas nuvens".

. . .

No fundo do armário escondido dentro de mim estão roupas que nunca visto que nunca empresto e nunca darei a ninguém por mais que fiquem velhas. 

Paz Entre Nós, Meu Guardião

Nada do que dissermos será verdade nas próximas horas enquanto nossas vozes estiverem alteradas, mas quando silencia-las será que poderia me abraçar? Esquecendo-se daquilo que deixou meu fino rosto molhado de tristeza e o falso ódio enganar seu coração. Minha alma se decompõe a cada olhar de amargura que me lança e estou jogada ao chão perdida de agonia, não sabes como é a dor acompanhada do desespero.

Chefe de todos os meus anjos a criatura está implorando seu perdão, passe a mão em sua cabeça e diga que não é mais preciso chorar. Porque continuar com tanta desgraça? O mundo nos põe a frente de gente suja o suficiente para querermos criar uma guerra entre aqueles que possuem nosso mesmo sangue, não posso ver meu refúgio destruído nem meu esconderijo.

Quero a paz querido guardião e estar ao seu lado cheia de riso, preciso que me ajude a crescer a mente que sai em fuga quando me vê distraída, teus concelhos assemelham-se a minha cama, é tão confortante quanto, esteja do meu lado mesmo que eu faça tudo errado, mesmo que não seja possível aguentar minha presença e não tenhas paciência de me ouvir falar besteiras.

Esteja ao meu lado mesmo que eu não queira.

Assim Iluminada

Olho para o infinito sem de ele obter respostas, talvez um dia consiga me libertar, vejo-me perdida em nuvens lacrimejantes, caminho sobre elas confortavelmente triste.

Conheço os motivos pelos quais estou aqui, sei que preciso fugir, ao longe entre as sombras avisto uma luz que quase me cega e no momento seguinte estou correndo, correndo o mais rápido que posso até parar de sentir o sólido abaixo de meus pés.

Eu caí.

Ainda inteira vejo suas asas, descubro a origem da luz, em relance posso ver o rosto de meu salvador e me sentir segura em seus braços, me tire daqui antes que derem por minha falta.

Estou deitada sobre as flores, o perfume delas me deixam sonolenta e não sinto vontade de ir embora, algo dentro de mim devolve toda a felicidade que me foi tirada um dia, escuto sua voz dizendo que o amor é o melhor presente depois do desprezo, longe das nuvens percebo que é o ser mais lindo e iluminado que já vi.

É pecado se apaixonar por um anjo?

Há lágrimas em seus olhos, lágrimas cor de ouro, em fim as minhas foram correspondidas, então antes que o universo se destrua por completo ou que por forças ocultas meu eu volte ao vazio, ouça meu interior, seu único pedido é ser seu.

Ensine-me a viver no seu mundo e eu te mostro como é o meu.

Basta

Sinto em dizer-te que com teus conceitos sobre desculpa está fora de alcance do raciocínio que ao longo dos meus dias em vida criei.

Meras palavras trocadas em diálogos fajutos nada valem perto daquelas diretas, sinceras e que vem da alma com puro sentimento e sem negar bem vindas também são as com vergonha da culpa.

Aliás, podes dizer-me o que está acontecendo? Tomei todo o cuidado para ficar em meu refúgio longe das tuas secretas artimanhas, jurei não me importar, não me incomodar e olha em que dimensão estou, me encontro prestes a me tornar um homem bomba e destruir três terços de tudo que por ti trago no peito.

Depois de certo tempo nos tornamos intolerantes a algumas ações de certos seres e a mim a sua validade está chegando.

. . .

Então já basta.